Parece cocaina, mas é só tristeza.
Tenho passado muito do meu tempo calado,
A base de café e sofrimento,
Não, eu não desejo conversar,
De que adiantaria desabafar contigo?
Eu lhe diria o que sinto, você diria entender,
mas sabemos, não entenderia,
Você irá dizer que vai passar,
mas a única coisa que passa é o tempo,
O meu tempo que se esvai dia após dia,
Não perca seu tempo dizendo saber como é,
Não sabe, esta dor é somente minha,
Por isso a carrego em silêncio,
Sem pretensão de alívio,
As vezes eu grito, sim eu grito,
Tão alto e com todas as minhas forças,
Mas ninguém parece escutar,
Ninguém parece se importar,
Por que tem que ser assim?
Hoje eu sou o que restou da maldita dor,
O que restou da solidão,
Pedaços e cacos, que você não quis juntar,
Levou o melhor de mim,
E foi me matando, pouco a pouco, dia após dia.
Tanto que hoje não se se venci o dia,
Ou foi o dia quem venceu.
Sobrevivo. Isso não é vida,
Não é nada, são apenas cicatrizes,
Tudo vai ficar bem,
Não é nada demais, é o meu sangue,
O melhor de mim,
Não é nada demais,
Nada demais.
Se parece muito com cocaina,
Mas é só uma tristeza terrível,
Dor sem fim, e pelo que sei,
Tudo deveria ter um fim,
Não é nada, dos pulsos, meu sangue
No chão, é só meu sangue,
e pedaços do que era meu coração
Frágil
Quebrado
Morto
Traga álcool, preciso,
Traga algo forte, o pior veneno,
É o amor, que mata aos poucos
Pelo que sei, isso não morre,
Amor mata, devagar,
E morro um pouco a cada dia
E ainda assim...
Todos acham que é cocaina...
Mas como diria meu amigo Renato,
É só tristeza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário