quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Quando acabar

Decidi fechar os olhos, assim será melhor, viver em sonhos, nos mais belos sonhos, onde não há dor, tão pouco flechas de fogo, dilacerando minha bela, triste vida, digna de morte, com a maior dor que há.
Maior que a própria imensidão, o azul do mar, a dor de amar, chorar sem razão, perder-se na solidão, procurar em vão, tentando encontrar a luz, em meio a escuridão.
Na escuridão do sono, que agora me entrego, viver de sonhos, até que pesadelos se tornem, apenas por pensar, que... Que nunca terei você.
Até mesmo a lua, que amante de todos os amante é, para mim, tão bela já não é, a solidão que tão bem conheço, amiga de anos, machuca e fere como fogo, e durante meu pesado sono, eu imploro neste sonho: acorde-me quando tudo acabar, beije-me de leve, e diga que foi tudo um sonho, diga-me para não mais sonhar.
Será possível viver em meio às sombras, criadas por minha própria claridade, da luz que se foi, e do silêncio que chegou, calmo como o mar, triste e bucólico como amar.
Olhe em meus olhos, veja o que esconde-se por trás de minhas palavras, bata na porta deste frágil coração, e quem lhe responderá é a própria solidão, em um leve sussurro, murmúrio quase mudo "aqui, não há ninguém".
Não diga que não sabe o que fazer, não tente dizer, que não sabe o que dizer, dormirei ainda por algum tempo, enquanto flechas disparadas por minha amiga, a solidão, dilaceram minha pele, e aos poucos despedaçam meu coração, durmo, esperando sempre pela hora de acordar, e todos os diad voltar ao mesmo pesadelo, de sua boca não beijar, acorde-me quando tudo isso acabar, diga-me que tudo foi apenas um sonho mal, e diga também, para não mais sonhar.

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